12/12/2016

[Social] Minha Vida na Faculdade: Dias Frugais Forçados

Meu difícil começo...
Depois de fazer um ensino médio lixoso, fiquei um ano estudando para fazer um concurso para a polícia civil, mas o concurso demorou muito e acabei desistindo com medo de morrer realizando as atribuições do cargo.

Então comecei a cursar faculdade de Direito numa dessas uniesquinas da vida das quais o antigo blog do pobreta sempre falava mal. A faculdade era problemática:

Pontos Negativos

  • Biblioteca desatualizada (o que me forçou a procurar materiais melhores desde cedo);
  • Professores quase todos ruins (tinha um de tributário excelente e só);
  • Provas fáceis (por isso tive um coeficiente de rendimento extremamente alto)

O excelente nível das aulas.

Pontos Positivos

  • Proximidade da minha residência (ia e voltava a pé);
  • Boa infraestrutura física (cadeiras, ar condicionado);
  • Preço (uns R$ 500 ou R$ 600 na época - minha família podia pagar, por isso não tive que recorrer a financiamento educacional);
  • Reconhecida pelo MEC (isso é uma das coisas essenciais)

Sempre acreditei que o aluno era mais importante que a faculdade na busca do conhecimento, tanto que um dos meus colegas de classe se tornou notário há pouco tempo e alguns alunos mais antigos também obtiveram sucesso profissional.

Sei que casos assim são exceção, mas eles mostram a capacidade que o indivíduo tem de vencer as dificuldades. Dessa forma adotei o livro do Willian Douglas como base metodológica desde o primeiro ano de faculdade.


Minha vida nessa época era forçadamente frugal:

  • Não tinha dinheiro sobrando para comprar livros e fazer cursos;
  • Não trabalhava e só estudava;
  • Shows e viagens nem pensar (só fui viajar anos depois e para lugares baratos)
  • Fazia taekwondo e depois fiquei só na musculação;
  • Conheci minha namorada (com ela vivo atualmente) que também veio de família humilde, então compreendia a razão de meus escassos recursos;
  • Minha casa não tinha internet nem telefone;
  • Minha principal fonte de lazer era ler scans na internet (salvava num pendrive para poder ler no computador de casa, aquele que montei com o dinheiro do estágio do ensino médio);
  • minha maior ambição era passar num concurso para poder melhorar meu quarto, comprando coisas legais.
  • A maioria de meus colegas, principalmente as mulheres, me achavam um retardado mental, estilo Patrick:
Como as mulheres na faculdade me viam.
  • no final da faculdade passei em um concurso de nível médio que pagava razoavelmente bem, mas pedi exoneração porque fui lotado em Angra dos Reis (4 horas de viagem de ônibus da minha casa) e não havia compatibilidade de horário com a faculdade. Lembro que na época me senti arrasado, mas percebi que estava no caminho certo.
  • "Modo monge de viver (monk mode)" era o padrão normal da minha vida.
  • Apesar das dificuldades, era feliz.

Olhando para trás, cinco anos fazendo trabalhos chatos e aturando professores incompetentes passaram rápido. Para mim, que nunca tinha dado valor ao estudo, foi a chance de fazer a diferença, mas mesmo me formando entre os melhores alunos da turma não obtive qualquer convite de emprego. 

Só restava dedicar um tempo indefinido para estudar para concursos após me formar, o que sempre foi meu objetivo. Minha vida depois da faculdade estava fadada a continuar forçadamente frugal por um bom tempo, mas isso será objeto de um outro post.

Grande abraço!


2 comentários:

  1. Que bacana seu relato,

    Eu ainda não abordei nunhum assunto da minha vida pessoal. Irei postar em breve.

    Abraços

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