01/01/2017

[Mental] Sapos, árvores e machados

Vista de uma das plataformas da estação
Pedro II no Rio de Janeiro


“ A necessidade faz o sapo pular”. Sempre gostei desse ditado. Muito se fala em estipular metas e buscar objetivos, mas cheguei em um ponto onde não queria nada. Não que eu fosse rico ou coisa parecida. Longe disso, pois no máximo sou classe média.

Você pode pensar que fiquei acomodado. Talvez, mas não descuidei da alimentação ou do trato do corpo, somente não desejava mais nenhum grande objetivo e nem alimentava nenhum grande sonho.

Muito do que fazia me esforçar no passado estava ligado a necessidade de estabilidade financeira e quanto atingi esse ponto percebi que a independência financeira chegaria, ainda que demorasse décadas, mas acho que nada mudará na minha vida, principalmente porque sou simpatizante do minimalismo e do epicurismo clássico.

Contudo essa acomodação profissional tem um problema: aprendi que quando uma área de nossas vidas para de se desenvolver, parte de nós entra em queda ou decadência. Não é uma questão de ganhar mais dinheiro, é o problema de começar a morrer.

Sim, a decadência é ruim porque é um processo de morte parcial. Um problema degenerativo tão lento e gradual que se passa imperceptível, como naquela experiência do sapo em uma panela de água quente que não sente a temperatura subir e termina morto, e cozido.

A pior parte é que esse problema degenerativo que começa em uma parte nossas vidas passará para a outras, pois a vida é uma só, apesar de a dividimos em áreas (profissional, sentimental etc) para ficar mais fácil de administrar (“dividir para conquistar”). Então, quando a gente começa a morrer, continua a morrer até estar completamente morto.

A única cura para esse mal é a PERSISTÊNCIA. Desde os sobreviventes do holocausto judeu até o vendedor de água na praia, o que nos mantém realmente vivos e em desenvolvimento como uma árvore em crescimento é a PERSISTÊNCIA, essa obstinação cheia de vontade de continuar jogando o jogo da vida.

Às vezes penso em mim mesmo como um machado. Um machado só serve para cortar madeira. E quando não estou cortando madeira, a única coisa que quero fazer é ficar cada vez mais afiado.

Enfim, nesse ano de 2017 que possamos continuar crescendo como a maior das árvores e cortando mais afiados do que nunca em busca de novos objetivos, não porque precisamos atingir o fim que eles prometem, mas porque precisamos, nessa viagem, do que o caminho nos oferece: a necessária oportunidade de continuar vivos e em desenvolvimento.

Grande abraço!


4 comentários:

  1. Morre e deixe morrer. Mas contemple. Correr pra quê?

    "O velho tanque: Uma rã salta. Barulho de água" (Bashô).

    Essencialmente, é isso.

    Contudo, claro, só posso te desejar isso: que seus projetos se realizem e, acaso não sigam em frete, que vc possar se sentir em paz. Paz, essa valiosa mercadoria de nossa época. Mais cara que antimatéria.

    Abraços, parceiro!

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    1. K,

      obrigado pelas palavras! "se queres paz, te preparas para a guerra" e quando me preparo me sinto em paz.

      abç!

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  2. Fala Scant, seu post me fez eu repensar várias coisas, e tudo tem a ver com meu sentimento de não ter mais grandes objetivos, exatamente como descreveu eu vivo uma vida minimalista e o que eu penso a partir de agora é "poupar", para continuar o meu ritmo até o fim da vida !!! infelizmente no momento, não vejo nada no que eu possa persistir, mas vou pensar e muito, pois não quero continuar a morrer !!!

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    1. Stifler,

      a reflexão é essencial para uma vida em paz. Fico feliz que tenha te motivado a refletir.
      Estamos todos em barcos nos mesmo oceano revolto.

      abç!

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