28/01/2017

[Social] Minha Vida Depois da Faculdade: Novos Dias Frugais Forçados

A vida não ficou mais
fácil depois da faculdade

Depois de cinco anos mais ou menos calmos e frugais cursando uma uniesquina cheguei onde já esperava chegar: um diploma na mão e sem um centavo no bolso, dependendo da aposentadoria de minha genitora (nem meu pai acreditava em mim)  para dar prosseguimento ao estudos.

Foram dois anos de estudos voluntários necessários, tanto no cursinho como em casa. Abaixo segue o resumo dessa pequena jornada:

  • morava na zona oeste do RJ e estudava na parte da manhã no centro: precisava acordar de madrugada, andar a pé por trinta minutos e pegar o ônibus executivo e, depois de duas horas, chegar à tempo na aula;
  • Muitas vezes peguei longos engarrafamentos, dias chuvosos, dias calorentos e outros apertos, mas como pobre estudante formado não tinha escolha;
  • Na sala de aula do cursinho, onde quase todos moravam perto, pois moravam na zona sul ou zona norte e vinham de carro, ônibus ou metrô, eu era o mais pobre;
  • Sempre precisei de descontos ou bolsas para estudar nesses cursinhos, não que minha mãe não pudesse pagar o preço integral, mas "a colcha é curta", entendem? Acho que sim.
  • Como na faculdade, não tinha muito dinheiro sobrando para gastar com material didático e então meus cadernos eram muito bem cuidados (fazia capa, mandava encadernar as folhas de fichário, caprichava na anotação etc);  
  •  Os poucos livros que comprava eram muito, muito bem escolhidos.
  • Fazia muitos resumos no computador e que quem lia elogiava, pois me esforçava muito para que ficassem perfeitos como, por exemplo, o Graal do MPF (nunca chegaram nesse nível, mas eram bons); 
  • A única matéria que tive que treinar sozinho foi português, mas já tinha estudado tanto dela nessa vida (já tinha feito literalmente milhares de exercícios) que ela não era mais um obstáculo;
  • Na saída do curso não tinha muito dinheiro para comer na rua, então pegava o ônibus para chegar logo em casa e poder comer, dormir (eu apagava de tarde depois do almoço) e no final da tarde voltar a estudar, fazendo meus resumos.
  • O ônibus que eu pegava na volta no primeiro ano não tinha ar condicionado, mas era muito rápido (o motorista devia ser ser fã de fórmula 1 ou coisa assim): eu quase sempre dormia. Algumas vezes eu até passava do ponto, então não tenho muitas lembranças da viagem de volta.
  • No segundo ano de estudo em cursinho, troquei de curso porque ganhei um bom desconto em uma prova de bolsa, o que já indicava que eu estava no caminho certo. Minha ideia era simples: assistir aulas no cursinho pela manhã e estudar sozinho no final da tarde até passar em um concurso. 
  •  No segundo ano de cursinho comecei a fazer inclusive aulas aos sábados para tirar minha pós-graduação, pois o primeiro curso tinha opção de valer como pós se o aluno cursasse mais duas matérias durante seis meses  (acho que era didática e metodologia) em uma determinada faculdade. Novamente minha mãe acreditou em meu potencial e me patrocinou;

Levando essa rotina indefinidamente tinha fé em minha aprovação, pois o conhecimento acabaria entrando por "osmose" ou por hábito.

Em todo esse período nunca deixei de fazer musculação duas a três vezes por semana (faço até hoje) e vejo que a prática de atividade física realmente ajuda na capacidade de concentração.

Outras coisas que me ajudaram nessa época foram: namorar e seguir minha religião (que não importa qual é). De qualquer forma, nunca fui de ir a boates e de beber.

Todo esse esforço rendeu frutos, pois passei de primeira na prova da OAB (minha 2ª fase fase foi em Civil), que já era difícil nessa época (a banca era o CESPE), mas não tanto como agora (FGV).

Além disso, no final do 2º ano de estudo passei, ao mesmo tempo em dois concursos para diferentes cargos da mesma instituição (um cargo era de ensino médio e outro de nível superior). 

Enfim, tomei posse no de nível superior, mas minha luta não tinha terminado, pois o salário era baixo e a carreira ruim. Então não havia como parar de estudar. Mas isso é assunto para outra postagem.

Grande abraço!

8 comentários:

  1. Olá Scant Tales,

    Parabéns pelo esforço e dedicação nestes dois anos de estudo e finalmente ter alcançado êxito em um concurso que você tanto se preparou. Em algum momento você pensou em desistir? Buscar um emprego por causa da pressão familiar pra trabalhar?

    Eu também sou servidor público e minha trajetória é um pouco diferente, mas abordarei em algumas postagens no meu blog.

    Abraços

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    1. Aport,

      Não pensei em desistir, pq arrumar um subemprego não parecia ser uma solução.

      No aguardo de suas postagens.

      Abc!

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    2. Cara, fico muito feliz que sua mãe tenha dado todo o suporte que você precisava, pois acredito que não tenha sido nada fácil encarar sua rotina. Posso dizer que também passei por um processo semelhante, com a diferença de que não tive o apoio de ninguém e estou preso a subempregos. Quero muito mudar esse quadro e seu relato me dá um gás a mais para correr atrás dessa mudança.

      Em 2015 fiz um curso de webdesign, lá conheci uma garota que havia se formado em direito e já atuava com advogada. Ela reclamava que apesar de prazeroso a função, infelizmente não era tão bem remunerada quanto as pessoas fora da área costumam pregar. Parece que ela não estava exagerando.

      Aguardo por novas postagens ;)

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    3. Diogo,

      Sem o patrocínio dela eu não teria conseguido na mesma velocidade ou talvez nunca.

      "Quero muito mudar esse quadro e seu relato me dá um gás a mais para correr atrás dessa mudança." fico feliz por isso, como diria William Douglas, a diferença entre sonho e realidade é tempo e trabalho duro.

      abç!

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  2. Bonita história de vida, também sofri bastante para poder fazer minha graduação, a diferença é que eu não tenho pai, e minha mãe não pode ajudar !!! aguardo seus próximos posts !!! ler sobre a vida pessoal é muito bom, motivador!!

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  3. Meu pai é um cara admirável. Passou fome no sertão e, com 11 anos de idade, era garoto de rua. Então passou a dormir de favor no depósito da padaria onde trabalhava. Na época, ninguém ligava para menores trabalhando e talvez por isso tivéssemos tantos homens de fibra, fazendo o país girar, cumprindo seus deveres sem chorar por direitos. Antigamente, com 15 anos de idade, um garoto já era um homem. Hoje, ele emprega dezenas de pessoas, mesmo septuagenário e podendo parar quando quiser. Teve oito filhos, mais de uma família, adotou crianças e NUNCA deixou faltar nada, nem mesmo a atenção que podia dar diante do tempo curto. Sempre me deu apoio. Quando eu era guri (mesmo sem morar com ele), confiava em mim, dizia que ficasse tranquilo e estudasse para, logo cedo, arranjar um meio de vida e depois sossegar.
    Enfim: entrei como Oficial do TRT aos 23 anos. Antes, já era ocupante de um cargo de nível médio no TJ desde a faculdade. Acho que sosseguei até demais. Poderia ter ralado mais, estudado mais, feito outras coisas etc.. Mas, cara, não preciso de MUITO dinheiro pra viver. Organizo meus trabalhos para fazer tudo em menos dias (essa flexibilidade é ótima) e aproveito esse tempo gerenciado para cuidar de minha vida pessoal, familiar etc..
    Meu irmão seguiu pelo mesmo caminho de estudos, só que na área acadêmica e de pesquisas.
    Curioso: nosso pai, empresário, sempre nos mandou estudar para o setor público, pois sempre disse que empresário é tratado como bosta no Brasil. É o porco que vc engorda pra tirar a banha. E isso é preocupante, pois Estado não gera riquezas e o empreendedorismo está sufocado.
    Enfim: achei interessante seu relato. Agradeço por ter sido depositário da fé de meu pai. Minha mãe era indiferente, mas foi uma boa mãe na minha infância.
    Com minha filha, tentarei ser positivo. Darei apoio a qualquer coisa que ele queira fazer da vida, desde que conheça e assumas os ônus que podem surgir.
    Procuro agradecer pela vida que tenho, pois vivo num país fodido onde pessoas ralam como jumento em troca de um salário mínimo e pequenos empresários são tratados como lixo enquanto políticos e amigos do poder enriquecem.

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    Respostas
    1. K,

      Mais um comentário histórico de sua autoria!
      Também tenho buscado ser mais grato e creio que um dos papéis dos pais é fornecer apoio moral, financeiro, afetivo, entre outro.
      Lamentável que o figura do empresário seja tratada dessa forma no Bostil.

      abç!

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